"Tu es Petrus et super hanc petram ædificabo Ecclesiam meam et portæ inferi non prævalebunt adversus eam"

terça-feira, 16 de março de 2010

PEDOFILIA E CELIBATO

Nas últimas semanas, alguns amigos da escola e da Igreja têm me perguntado sobre os casos de pedofilia envolvendo sacerdotes católicos, principalmente na Europa (e também no Brasil), inclusive envolvendo o irmão do Papa, Mons. Georg Ratzinger, e o próprio Papa Bento – quando este era arcebispo de Munique, na Alemanha. Essas lamentáveis notícias merecem uma pequena consideração.

Primeiramente, é fato verídico, triste e vergonhoso que alguns sacerdotes e religiosos aproveitam de sua condição de consagrados para abusarem e violentarem menores de idade, além de outros pecados horrendos que clamam a ira de Deus Todo Poderoso. Entretanto, há de se esclarecer que não é o celibato – recomendado por Cristo que se fez casto (Cf. Mt 19, 12. 29), pelo grande apóstolo Paulo (Cf. 1Cor 7, 1Tim 3,2) e pela Sagrada Tradição (Agostinho, Ambrósio, Jerônimo, os Padres do Deserto, Concílio Regional de Elvira, na Espanha em 303) – causador dessas perversidades e baixezas, pois não existe padre ou religioso pedófilo, mas pedófilo que se esconde por detrás das vestes religiosas. Assim, como há pedófilos (e não são poucos!) entre outros seguimentos da sociedade civil, pois se trata de uma desordem mental, um transtorno de personalidade.

Esta tétrica situação nos deve levar a refletir sobre a baixeza moral que permeia nossa sociedade hodierna, outrora cristã: pedofilia, pornografia, legalização da união livre de pessoas do mesmo sexo, aborto, eutanásia, corrupção, tráfico, etc. Desse modo, pretende-se deixar bem claro, de maneira inequívoca que a disciplina eclesiástica do celibato consagrado não tem nenhuma relação com os escândalos de pedofilia. Não é abolindo o celibato – como pensam alguns dentro e fora dos ambientes eclesiásticos – que se arranca esta praga daninha da Igreja! Mas, realizando uma autêntica seleção dos candidatos a trabalhar na vinha do Senhor como ministros consagrados, bem como uma sólida formação moral, humana, afetiva, doutrinária e um acompanhamento sério por parte dos formadores durante os anos de formação para a vida sacerdotal e religiosa, de maneira a discernir a intenção daqueles que batem a porta de nossos seminários e casas religiosas. Não queremos quantidade, mas qualidade: sacerdotes santos, fiéis a Cristo e a sua Igreja para a salvação do Povo de Deus e triunfo da Santa Religião. Como nos pede o Papa Bento neste ano sacerdotal: Fidelidade de Cristo, fidelidade do sacerdote!

Em relação as notícias que querem envolver nosso Beatíssimo Papa Bento XVI e seu irmão Mons. Georg, trata-se de campanha difamatória anti-clerical, anti-católica e, acima de tudo, anti-cristã por parte de uma mídia farisaica e atéia, procurando minar a autoridade moral e espiritual do Vigário de Cristo na Terra que está exercendo seu ministério petrino de modo sábio, santo e prudente, numa constante e árdua reforma e purificação no seio da Igreja de Cristo a semelhança dos santos pastores do passado: Leão I, Gregório I, Gregório VII , Bento, Bernardo, Francisco, Domingos, Pio V, Pio X ... O tempo e a história reconhecerão a grandeza e a santidade do Papa Ratzinger!

Aproveitemos este Tempo Quaresmal que a liturgia nos convida a oração, a penitência e a conversão para clamarmos com as palavras do salmista a misericórdia do Senhor para nós e para toda a Santa Igreja: “Miserere mei Deus, secundum magnam misericordiam tuam...” (Sl 50).

Segue abaixo alguns artigos e entrevistas bastante esclarecedores relacionados ao tema em questão:

· http://noticias.cancaonova.com/noticia.php?id=275766 (celibato X escândalos: Pe. Lombardi);
· http://oblatvs.blogspot.com/2010/03/esclarecimentos-do-bispo-de-regensburg.html (campanha difamatória);
· http://www.zenit.org/article-24350?l=portuguese (Como a Igreja trata o assunto: Mons. Charles J. Scicluna);
· http://www.zenit.org/article-24335?l=portuguese (à ONU)
· http://www.zenit.org/article-24105?l=portuguese (à Igreja Irlandesa)
· http://www.zenit.org/article-19093?l=portuguese (à Igreja Australiana);

Nós, fiéis católicos e filhos da Igreja, devemos amar profundamente a nossa Mãe e Mestra da Verdade, pois ela não é obra humana, mas divina, querida pelo Senhor e confiada a Pedro (Cf. Mt16, 18). Que tenhamos uma fé sólida e firme, na certeza de que "as portas do inferno não prevalecerão". Que nada nem ninguém abalem a nossa fé em Cristo e na sua Igreja!

Por Maycon Sanches.

sábado, 13 de março de 2010

NOVOS SACERDOTES PARA A DIOCESE DE CAMPOS


A Diocese de Campos se alegra com a ordenação de mais seis novos padres. A celebração será no dia 29 de maio, às 09h00min, no Santuário de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, à Av. Santo Afonso, 208, Parque Rosário, Campos-RJ.

Serão ordenados pela imposição de mãos e prece consecratória do Exmo Revmo Sr Bispo diocesano, Dom Roberto gomes Guimarães, os Diáconos: Alexandre R. Mothé, David B. de Souza, Fagner da S. Ribeiro, Giovanni F. Ribeiro, Lucas M. de Oliveira e Ramyro G. Armond.

O Santuário de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro foi o local da Ordenação Diaconal  da referida turma, no dia 12 de dezembro de 2009, ficando lotada de fiéis provenientes de diversas paróquias, de outras dioceses do Estado do Rio de Janeiro e de  fiéis vindos de outros estados, como o Espírito Santo, além, é claro, dos quase 100 padres que se fizerem presentes e de Dom Roberto Ferrería Paz, bispo auxiliar da Arquidiocese de Niterói.

É, sem dúvida alguma, um grande presente de Deus poder ordenar seis novos padres dentro do Ano Sacerdotal. Que eles sejam Sacerdotes fiéis, imitando a fidelidade de Cristo, Sumo e Eterno Sacerdote!


Oração pelas Vocações


Senhor da messe e Pastor do rebanho,
faz ressoar em nossos ouvidos
o teu forte e suave convite: "Vem e segue-me!"
Derrama sobre nós o teu Espí­rito;
que Ele nos dê sabedoria para ver o caminho
e generosidade para seguir tua voz.
Senhor, que a messe não se perca
por falta de operários.
Desperta as nossas comunidades para a missão.
Ensina a nossa vida a ser serviço.
Fortalece os que querem dedicar-se ao Reino
na vida consagrada e religiosa.
Senhor, que o rebanho não pereça
por falta de pastores.
Sustenta a fidelidade de nossos bispos,
padres e ministros.
Dá perseverança a nossos seminaristas.
Desperta os nossos jovens
para o ministério pastoral em tua Igreja.
Senhor da messe e Pastor do rebanho,
chama-nos para o serviço do teu povo.
Maria, Mãe da Igreja,
modelo dos servidores do Evangelho,
ajuda-nos a responder sim. Amém.

"ADÃO CONTINUA A CAIR"


Com muita tristeza e vergonha assisti, no site do SBT, aos videos do programa "Conexão Repórter", sobre casos de Pedofilia com coroinhas em Paróquias da Diocese de Penedo (AL). As cenas são chocantes, retratam a realidade espiritual de que, dentro da Igreja, Satanás investe nas fraquesas dos pastores para confundir e dispersar as ovelhas do rebanho.  Refleti, então,  sobre a real  necessidade de intensificarmos nossas orações pela conversão dos sacerdotes, dos seminaristas  e pelo envio de vocações santas para a messe.  É preciso oferecermos, sobretudo nessa quaresma, pequenos sacrificios em reparação dos pecados cometidos pelos sacerdotes, aqueles que são Cristo para nós, que tanto ofendem e ferem o coração do Senhor! 

Assistindo aos videos veio ao meu coração o texto da oração da IX Estação da Via-sacra do Papa Bento XVI:

       "Senhor, muitas vezes a vossa Igreja nos parece uma barca que está para afundar, uma barca que solta àgua por todos os lados. E mesmo no vosso campo de trigo, vemos mais cizânia que trigo. O vestido e o rosto tão sujos da vossa Igreja nos horrorizam. Mas somos nós mesmos que o sujamos! Somos nós mesmos que vos traímos sempre, depois de todas as nossas grandes palavras, de todos os nossos gestos. Tende piedade da vossa Igreja: também dentro dela, Adão continua a cair. Com a nossa queda, nós vos jogamos ao chão, e Satanás ri porque espera que não mais conseguireis levantar-vos daquela queda; espera que vós, ao ser arrastado na queda da vossa Igreja, ficareis por terra derrotado. Mas Vós vos erguereis. Vós vos levantastes, ressuscitastes e podeis levantar-nos também a nós. Salvai e santificai a vossa Igreja. Salvai e santificai a todos nós."


 É importante aqui salientar, que a pedofilia está presente em diversos seguimentos da sociedade, na família sobretudo. Seja padre, pai de família, pastor evangélico, médico, qualquer um que seja, pedofilia é crime e deve haver justiça! Não podemos esquecer que em todos os setores da sociedade, onde acontece este tipo de crime, existem pessoas corretas e não corretas, joio e trigo crescendo juntos... Por isso não se pode jogar a àgua da bacia fora junto com a criança, pois existem pessoas boas, justas, honestas, saudáveis (no contexto: sexualmente falando) em todas as instituições, principalmente na Igreja, a bola da vez!


Pela sua Dolorosa Paixão, tende misericórdia de nós e do mundo inteiro!

quinta-feira, 11 de março de 2010

TRANSMISSÃO NA INTERNET DO CONGRESSO TEOLÓGICO



Non Praevalebunt informa: 

O Congresso Teológico Internacional “Fidelidade de Cristo, fidelidade do Sacerdote”, promovido pela Congregação para o Clero, nos dias 11 e 12 de março , na Sala Magna da Pontifícia Universidade Lateranense, será transmitido pelo site do Ano Sacerdotal, onde será possível seguir todas as Conferências.
Bom congresso!

terça-feira, 9 de março de 2010

"ECONOMIA E VIDA"


A Campanha da Fraternidade 2010 é a terceira ecumênica, realizada em parceria com as demais igrejas do CONIC (Conselho Nacional de Igrejas Cristãs), como já ocorrido em 2000 e em 2005. Com o seu lema extraído de Mateus 6, 24, “vós não podeis servir a Deus e ao dinheiro” ela nos convida a uma correta política do uso dos bens materiais, que busque a superação da ganância, da avareza e do consumismo desregrado, agradando a Deus e colocando-se sempre disponível à promoção da vida e do bem comum.

O dinheiro não pode ser em nossas vidas um ídolo que nos controla a consciência, movendo-nos à prática materialista do consumismo, onde o “ter” é mais importante do que as pessoas, e a abundância desnecessária é indiferente a tantos que não têm nem mesmo o essencial para sua sobrevivência e bem-estar. É preciso abrir-nos a uma economia que seja solidária com os mais pobres e excluídos de nossa sociedade, para que também eles tenham sua dignidade humana salvaguardada, e tenham acesso ao conjunto de condições sociais necessário ao seu integral desenvolvimento pessoal.

É de suma importância desenvolver em nós a consciência de que a solução para os problemas sociais não dependem apenas dos governantes, ou daqueles que detêm o poder aquisitivo, não é apenas de denúncias e passeatas que consistem os passos para um mundo melhor, todos nós temos a nossa parcela de contribuição para uma um sociedade mais justa e fraterna, e para isto, se faz necessário cuidarmos melhor do meio ambiente em que estamos inseridos, potencializar a nossa caridade para com os menos favorecidos, sermos mais justos em nossas relações, encarando cada individuo do nosso convívio não como uma mercadoria, mas como pessoa muito amada por Deus.

Além disso, é utópico achar que sozinhos, ou que apenas com os nossos escassos recursos humanos, nós iremos mudar o mundo. A caridade sem Deus é vazia de eficácia! O homem só será bom quando conhecer a Bondade, só vai amar quando for tocado pelo Amor e só será justo quando tiver o seu coração verdadeiramente convertido Àquele que é o justo juiz.

O Tempo da Quaresma, no qual é trabalhada a Campanha da Fraternidade, nos convida à conversão. voltemos ao Senhor! Sejamos mais fraternos e solidários, testemunhemos o Deus de amor e justiça com nossas vidas, Ele nos chama, nos envia e nos dará a força necessária para sermos “sal da terra e luz do mundo” (Cf. Mt 5, 13-15).

sábado, 6 de março de 2010

44º DIA MUNDIAL DAS COMUNICAÇÕES SOCIAIS


Conselho Pontifício para as Comunicações Sociais

16 de maio de 2010
Mensagem do Santo Padre



Queridos Irmãos e Irmãs

O tema do próximo Dia Mundial das Comunicações Sociais – “O sacerdote e a pastoral no mundo digital: os novos media ao serviço da Palavra” – insere-se perfeitamente no trajecto do Ano Sacerdotal e traz à ribalta a reflexão sobre um âmbito vasto e delicado da pastoral como é o da comunicação e do mundo digital, que oferece ao sacerdote novas possibilidades para exercer o seu serviço à Palavra e da Palavra. Os meios modernos de comunicação fazem parte, desde há muito tempo, dos instrumentos ordinários através dos quais as comunidades eclesiais se exprimem, entrando em contacto com o seu próprio território e estabelecendo, muito frequentemente, formas de diálogo mais abrangentes, mas a sua recente e incisiva difusão e a sua notável influência tornam cada vez mais importante e útil o seu uso no ministério sacerdotal.



A tarefa primária do sacerdote é anunciar Cristo, Palavra de Deus encarnada, e comunicar a multiforme graça divina portadora de salvação mediante os sacramentos. Convocada pela Palavra, a Igreja coloca-se como sinal e instrumento da comunhão que Deus realiza com o homem e que todo o sacerdote é chamado a edificar n’Ele e com Ele. Aqui reside a altíssima dignidade e beleza da missão sacerdotal, na qual se concretiza de modo privilegiado aquilo que afirma o apóstolo Paulo: “Na verdade, a Escritura diz: “Todo aquele que acreditar no Senhor não será confundido”. [...] Portanto, todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo. Mas como hão-de invocar Aquele em quem não acreditam? E como hão-de acreditar n’Aquele de quem não ouviram falar? E como hão-de ouvir falar, se não houver quem lhes pregue? E como hão-de pregar, se não forem enviados?” (Rm 10,11.13-15).



Hoje, para dar respostas adequadas a estas questões no âmbito das grandes mudanças culturais, particularmente sentidas no mundo juvenil, tornaram-se um instrumento útil as vias de comunicação abertas pelas conquistas tecnológicas. De facto, pondo à nossa disposição meios que permitem uma capacidade de expressão praticamente ilimitada, o mundo digital abre perspectivas e concretizações notáveis ao incitamento paulino: “Ai de mim se não anunciar o Evangelho!” (1 Cor 9,16). Por conseguinte, com a sua difusão, não só aumenta a responsabilidade do anúncio, mas esta torna-se também mais premente reclamando um compromisso mais motivado e eficaz. A este respeito, o sacerdote acaba por encontrar-se como que no limiar de uma “história nova”, porque quanto mais intensas forem as relações criadas pelas modernas tecnologias e mais ampliadas forem as fronteiras pelo mundo digital, tanto mais será chamado o sacerdote a ocupar-se disso pastoralmente, multiplicando o seu empenho em colocar os media ao serviço da Palavra.



Contudo, a divulgação dos “multimédia” e o diversificado “espectro de funções” da própria comunicação podem comportar o risco de uma utilização determinada principalmente pela mera exigência de marcar presença e de considerar erroneamente a internet apenas como um espaço a ser ocupado. Ora, aos presbíteros é pedida a capacidade de estarem presentes no mundo digital em constante fidelidade à mensagem evangélica, para desempenharem o próprio papel de animadores de comunidades, que hoje se exprimem cada vez mais frequentemente através das muitas “vozes” que surgem do mundo digital, e anunciar o Evangelho recorrendo não só aos media tradicionais, mas também ao contributo da nova geração de audiovisuais (fotografia, vídeo, animações, blogues, páginas internet) que representam ocasiões inéditas de diálogo e meios úteis inclusive para a evangelização e a catequese.



Através dos meios modernos de comunicação, o sacerdote poderá dar a conhecer a vida da Igreja e ajudar os homens de hoje a descobrirem o rosto de Cristo, conjugando o uso oportuno e competente de tais meios – adquirido já no período de formação – com uma sólida preparação teológica e uma espiritualidade sacerdotal forte, alimentada pelo diálogo contínuo com o Senhor. No impacto com o mundo digital, mais do que a mão do operador dos media, o presbítero deve fazer transparecer o seu coração de consagrado, para dar uma alma não só ao seu serviço pastoral, mas também ao fluxo comunicativo ininterrupto da “rede”.



Também no mundo digital deve ficar patente que a amorosa atenção de Deus em Cristo por nós não é algo do passado nem uma teoria erudita, mas uma realidade absolutamente concreta e actual. De facto, a pastoral no mundo digital há-de conseguir mostrar, aos homens do nosso tempo e à humanidade desorientada de hoje, que “Deus está próximo, que, em Cristo, somos todos parte uns dos outros” [Bento XVI, Discurso à Cúria Romana na apresentação dos votos de Natal: "L’Osservatore Romano" (21-22 de Dezembro de 2009) pág. 6].



Quem melhor do que um homem de Deus poderá desenvolver e pôr em prática, mediante as próprias competências no âmbito dos novos meios digitais, uma pastoral que torne Deus vivo e actual na realidade de hoje e apresente a sabedoria religiosa do passado como riqueza donde haurir para se viver dignamente o tempo presente e construir adequadamente o futuro? A tarefa de quem opera, como consagrado, nos media é aplanar a estrada para novos encontros, assegurando sempre a qualidade do contacto humano e a atenção às pessoas e às suas verdadeiras necessidades espirituais; oferecendo, às pessoas que vivem nesta nossa era “digital”, os sinais necessários para reconhecerem o Senhor; dando-lhes a oportunidade de se educarem para a expectativa e a esperança, abeirando-se da Palavra de Deus que salva e favorece o desenvolvimento humano integral. A Palavra poderá assim fazer-se ao largo no meio das numerosas encruzilhadas criadas pelo denso emaranhado das auto-estradas que sulcam o ciberespaço e afirmar o direito de cidadania de Deus em todas as épocas, a fim de que, através das novas formas de comunicação, Ele possa passar pelas ruas das cidades e deter-se no limiar das casas e dos corações, fazendo ouvir de novo a sua voz: “Eu estou à porta e chamo. Se alguém ouvir a minha voz e Me abrir a porta, entrarei em sua casa, cearei com ele e ele comigo” (Ap 3, 20).



Na Mensagem do ano passado para idêntica ocasião, encorajei os responsáveis pelos processos de comunicação a promoverem uma cultura que respeite a dignidade e o valor da pessoa humana. Este é um dos caminhos onde a Igreja é chamada a exercer uma “diaconia da cultura” no actual “continente digital”. Com o Evangelho nas mãos e no coração, é preciso reafirmar que é tempo também de continuar a preparar caminhos que conduzam à Palavra de Deus, não descurando uma atenção particular por quem se encontra em condição de busca, mas antes procurando mantê-la desperta como primeiro passo para a evangelização. Efectivamente, uma pastoral no mundo digital é chamada a ter em conta também aqueles que não acreditam, caíram no desânimo e cultivam no coração desejos de absoluto e de verdades não caducas, dado que os novos meios permitem entrar em contacto com crentes de todas as religiões, com não-crentes e pessoas de todas as culturas. Do mesmo modo que o profeta Isaías chegou a imaginar uma casa de oração para todos os povos (cf. Is 56,7), não se poderá porventura prever que a internet possa dar espaço – como o “pátio dos gentios” do Templo de Jerusalém -também àqueles para quem Deus é ainda um desconhecido?



O desenvolvimento das novas tecnologias e, na sua dimensão global, todo o mundo digital representam um grande recurso, tanto para a humanidade no seu todo como para o homem na singularidade do seu ser, e um estímulo para o confronto e o diálogo. Mas aquelas apresentam-se igualmente como uma grande oportunidade para os crentes. De facto nenhum caminho pode, nem deve, ser vedado a quem, em nome de Cristo ressuscitado, se empenha em tornar-se cada vez mais solidário com o homem. Por conseguinte e antes de mais nada, os novos media oferecem aos presbíteros perspectivas sempre novas e, pastoralmente, ilimitadas, que os solicitam a valorizar a dimensão universal da Igreja para uma comunhão ampla e concreta; a ser no mundo de hoje testemunhas da vida sempre nova, gerada pela escuta do Evangelho de Jesus, o Filho eterno que veio ao nosso meio para nos salvar. Mas, é preciso não esquecer que a fecundidade do ministério sacerdotal deriva primariamente de Cristo encontrado e escutado na oração, anunciado com a pregação e o testemunho da vida, conhecido, amado e celebrado nos sacramentos sobretudo da Santíssima Eucaristia e da Reconciliação.



A vós, queridos Sacerdotes, renovo o convite a que aproveiteis com sabedoria as singulares oportunidades oferecidas pela comunicação moderna. Que o Senhor vos torne apaixonados anunciadores da Boa Nova na “ágora” moderna criada pelos meios actuais de comunicação.



Com estes votos, invoco sobre vós a protecção da Mãe de Deus e do Santo Cura d’Ars e, com afecto, concedo a cada um a Bênção Apostólica.



Vaticano, 24 de Janeiro – dia de São Francisco de Sales – de 2010





ANO SACERDOTAL

A Igreja Universal, convocada pelo Papa Bento XVI, celebra o Ano Sacerdotal (2009 – 2010), Tempo este de orações pela santificação dos sacerdotes, para que estes, de fato, vivam de acordo com o modelo sacerdotal do Coração do Senhor. O lema “Fidelidade de Cristo, fidelidade do Sacerdote” nos leva a refletir profundamente sobre o autêntico sentido e missão do sacerdócio católico e nos desafios que este implica. Ser sacerdote em meio ao mundo controverso em que vivemos é, sem dúvida alguma, portasse como parâmetro moral, ético e humanitário, crendo em meio ao desalento que, “é Ele que nos fortalecerá até o fim” (Cf. 1Cor 1,8).
A Igreja de cristo necessita de homens santos e sábios, que respondam ao chamado de Deus para uma entrega livre de si ao serviço sacerdotal, hoje. Homens de têmpera, fidelidade à doutrina e de profundo amor a Deus e a cada homem, imagem do Senhor.
Pelo santo batismo cada cristão se torna, pela unção do Espírito Santo, participante da missão de Jesus de evangelizar os pobres, sarar os contritos de coração, anunciar aos cativos a redenção, aos cegos a recuperação da vista, para libertar os oprimidos e proclamar o tempo da graça do Senhor (Cf. Lc 4,16-19). O sacerdote, de modo maior, principalmente pelo ministério que lhe foi confiado, é convocado por Deus para ser “outro Cristo”, ser semente que morre para promover Vida. É chamado a lutar com veemência contra os costumes permissivos e degradantes tão presentes em nossa sociedade, frutos de uma mentalidade deturpada pelos valores desprezíveis do Paganismo arrogante, que sempre quis enganar e desviar da Verdade os homens, roubando-lhes a dignidade e a liberdade que gozam como filhos de Deus em Jesus Cristo no Espírito.
É crescente em nosso tempo o paganismo relativista, que despede Deus das consciências, afastando os homens da Contemplação de Deus, fazendo-os considerarem apenas suas necessidades temporais, buscando de modo desenfreado a satisfação dos seus prazeres e apetites. Daí cada homem cria para si ídolos, seja pelo consumismo exagerado, que é fruto do materialismo, que gera a avareza, provocando desigualdades na sociedade, onde alguns têm muito e outros nada têm, seja também por meio da deturpação da sexualidade humana, que insiste em mudar a ordem natural dada por Deus, fruto da sensualidade crescente nos meios de comunicação audiovisuais, gerando toda espécie de promiscuidade e alienação, sobretudo em meio aos jovens.
As pessoas nesse contexto apresentado, vão se “coisificando”, perdendo a capacidade de raciocinar sobre a Verdade, pois estão totalmente sobre o controle daqueles “ídolos” que lhes controlam a consciência e seus atos. O sacerdócio católico é chamado a ser hoje um sinal de Deus para o mundo, um sinal de libertação para os homens e mulheres do nosso tempo que estão afastados do verdadeiro Deus, cegos e entregues à escravidão do pecado imposto pelos esquemas covardes que querem destruir a vida humana para promoverem seus interesses.
O Sacerdote de hoje, deve, como verdadeiro discípulo e missionário do Senhor Jesus, denunciar e combater todo erro e todo mal que exista em nosso meio: As drogas, a ganância, o poder de opressão, o uso indevido do sexo, o aborto, a violência e etc. E assim ajudar o mundo a fazer o caminho interior do reencontro com Deus, da reativação da amizade com Ele, valorizando cada individuo como pessoa muito amada pelo Senhor, fazendo-o conhecedor dessa verdade e devolvendo-lhe a dignidade de vida, promovendo a solidariedade, a paz e o diálogo, levando cada homem a perceber que esta vida é fugaz e que a verdadeira e eterna vida, e tesouro estão em Deus.
Motivados pelo ano sacerdotal, rezemos pela fidelidade dos nossos sacerdotes. Que Deus abençoe os esforços e pequenos sacrifícios de cada sacerdote, inserido em meio às dores do mundo, em prol do Reino. Que suas vidas sejam trigo que se imola para que a obra de Deus cresça e frutifique. Que em seus corações esteja a certeza de que “Aquele que começou a boa obra, há de levá-la à perfeição” (Fl 1,6), pois é fiel Aquele que fez a promessa! (Cf. Hb 10,23).